Viajar para a Itália pela primeira vez pode ser esmagador. São tantas cidades, tantos museus e tanta história que a gente não sabe por onde começar. A boa notícia é que dá para montar um roteiro que equilibra os clássicos com tempo para respirar, comer bem e até se perder um pouco. Abaixo você encontra sugestões para 8 dias (foco em três cidades) e para 15 dias (com espaço para mais destinos e ritmo mais tranquilo).
Roteiro de 8 dias na Itália
Em uma semana e um dia, o ideal é concentrar em três bases: Roma, Florença e Veneza. São as três paradas que todo mundo quer conhecer e que ficam bem conectadas de trem. A ordem Roma, Florença e Veneza funciona bem porque você desce do sul para o norte e pode sair de Veneza de avião ou seguir para outros países.
Roma (3 dias): No primeiro dia, vale focar no centro histórico: Fontana di Trevi, Panteão e Piazza Navona. Caminhar entre eles a pé é possível e é uma das melhores formas de sentir a cidade. No segundo dia, reserve a manhã ou a tarde inteira para o Coliseu e o Fórum Romano. Compre ingresso com antecedência e, se puder, pegue o primeiro horário para evitar fila e calor. No terceiro dia, os Museus do Vaticano e a Capela Sistina ocupam várias horas. Chegue cedo e escolha duas ou três alas para não sair exausto. A Basílica de São Pedro fica na saída; a entrada é gratuita, mas a subida na cúpula é paga e vale a vista.
Florença (2 dias): O trem de Roma leva cerca de 1h30. No primeiro dia em Florença, a Galleria degli Uffizi é parada obrigatória para quem gosta de arte. Reserve com antecedência. Depois, atravesse o Ponte Vecchio e suba até o Piazzale Michelangelo no fim da tarde: a vista da cidade e do pôr do sol é de graça e inesquecível. No segundo dia, a catedral (Duomo) e o Batistério podem ser vistos por fora; subir na cúpula exige ingresso e fôlego. O bairro do Oltrarno, do outro lado do rio, é mais tranquilo e tem oficinas de artesãos e bons restaurantes.
Veneza (2 dias): O trem de Florença para Veneza leva em torno de 2 horas. Em Veneza, o melhor programa é caminhar sem mapa. Saia da estação, atravesse pontes e se perca pelos becos. A Piazza San Marco e o Palazzo Ducale são os pontos mais famosos; vá de manhã cedo para evitar a multidão. Um passeio de gôndola é caro e turístico, mas um giro de vaporetto pelo Canal Grande vale a pena e é bem mais barato. No segundo dia, vale pegar o vaporetto até Murano (vidro) ou Burano (casas coloridas) se você tiver tempo e quiser ver outra cara da laguna.
Roteiro de 15 dias na Itália
Com duas semanas, dá para incluir mais uma cidade ou região e reduzir a correria. Uma opção é acrescentar Milão no início ou no fim, ou incluir uma noite em Pisa e Lucca saindo de Florença. Outra é dedicar dois ou três dias à Toscana: Siena, San Gimignano ou uma noite no campo. A ordem sugerida aqui é Roma, Florença, Toscana (opcional), Veneza e, se der, um dia em Milão.
Roma (4 dias): Os três primeiros dias seguem a lógica do roteiro de 8 dias. No quarto dia, você pode explorar bairros como Trastevere (ruas de paralelepípedo, igrejas e restaurantes) ou o Testaccio, conhecido pela comida e pelo mercado. Se quiser fugir um pouco do centro, a Via Appia Antica e as Catacumbas são um passeio diferente e histórico.
Florença (3 dias): Além do que já foi citado, no terceiro dia dá para fazer um bate e volta a Siena (ônibus ou trem) ou a Fiesole, uma vila nas colinas com vista de Florença. Em Florença mesmo, o Museu do Bargello e a Basílica de Santa Croce são alternativas aos Uffizi se você quiser variar.
Toscana (2 dias): Duas noites em Siena ou em uma agriturismo no campo permitem conhecer a região dos vinhos (Chianti), as torres de San Gimignano e as colinas que a gente vê em todo filme da Itália. Alugar carro facilita, mas dá para usar ônibus e trem em parte do percurso.
Veneza (3 dias): Com mais tempo, você pode visitar as ilhas (Murano, Burano, Torcello), entrar em igrejas menos óbvias e sentar em um bacaro para um cicchetto e um ombra (vinho). Veneza à noite, sem a multidão diurna, é outra experiência.
Milão (1 dia): Se sua volta for por Milão, um dia na cidade dá para ver o Duomo por fora e por dentro, a Galleria Vittorio Emanuele e talvez o Cenáculo de Leonardo (reserve com bastante antecedência). Milão é mais cidade grande e menos “cartão postal” que as outras; mesmo assim vale como contraste.
Restaurantes e cafés famosos para incluir no roteiro
A Itália não é só monumento: é café na banca, gelato na esquina, massa fresca e pizza no forno a lenha. Vale encaixar pelo menos alguns endereços clássicos no roteiro, mesmo que seja só para um café ou uma sobremesa.
Roma: Na capital, o Antico Caffè Greco, na Via dei Condotti, é um dos cafés históricos da cidade. Artistas e escritores frequentaram o lugar no século XIX; hoje continua com mesas de mármore e ambiente de época. O preço é de ponto turístico, mas um espresso em pé no balcão sai mais barato que sentado. Para gelato, Giolitti e Gelateria del Teatro são clássicos; evite as sorveterias que têm montanhas de gelato colorido na vitrine, em geral são as mais industrializadas. Para jantar, Da Enzo al 29 no Trastevere é pequeno e costuma ter fila; a carbonara e os fritos são famosos. Reserve ou chegue cedo. Roscioli, perto do Campo de’ Fiori, é padaria, restaurante e wine bar; ótimo para almoço ou aperitivo com queijos e embutidos.
Florença: O Caffè Gilli, na Piazza della Repubblica, é um dos cafés mais antigos da cidade. O salão e as mesas na praça têm preço alto; um café em pé no balcão já dá a experiência. Para ver o movimento da praça com um drink, o Caffè Rivoire, na Piazza della Signoria, fica de frente para a réplica do David. Para comer, a Trattoria Sostanza é famosa pelo butter chicken (pollo al burro) e pelo bife; pequena e lotada, reserve com dias de antecedência. O Mercato Centrale no térreo tem barraquinhas de comida para almoço rápido; no andar de cima há mesas e opções para sentar. Para gelato, Gelateria dei Neri e La Carraia são bem recomendados pelos florentinos.
Veneza: O Caffè Florian, na Piazza San Marco, é o café mais famoso da cidade e um dos mais antigos da Europa. Sentar na praça é caro, mas o ambiente e a história justificam pelo menos um café. Para algo mais simples, os bacari são bares onde se come cicchetti (pequenos petiscos) e se bebe ombra (copinho de vinho). Cantina Do Spade e Al Timon são clássicos; coma em pé no balcão. Para uma refeição sentada, Trattoria da Romano em Burano é conhecida pelo risotto de peixe; em Veneza centro, Antiche Carampane e Osteria alle Testiere são bem falados, mas é essencial reservar. Evite os restaurantes com cardápio em dez idiomas e garçom na porta puxando cliente; em geral a qualidade é menor.
Milão: O Caffè Cova, perto da Galleria Vittorio Emanuele, é histórico e elegante; bom para um café ou um docinho. O Luini, atrás do Duomo, vende panzerotti (massas fritas recheadas) desde 1888; fila na hora do almoço, mas vale. Para um aperitivo milanês de verdade, a zona dos Navigli tem vários bares com buffet incluído no preço do drink a partir do fim da tarde.
Não é preciso fazer todos esses endereços: escolha dois ou três por cidade conforme seu tempo e orçamento. Um café histórico, um gelato e uma refeição num lugar com boa reputação já fazem diferença na viagem.
Dicas importantes (e não óbvias) para turistas
Água da torneira: Na maior parte da Itália a água da torneira é potável e boa. Leve uma garrafa reutilizável e reabasteça em fontes públicas. Em Roma há vários “nasoni”, os chafarizes com água sempre gelada. Você economiza dinheiro e evita plástico. Em restaurante, se pedir “acqua del rubinetto” (água da torneira), muitos servem sem custo ou por um valor simbólico.
Horário das refeições: Os italianos almoçam por volta das 13h e jantam tarde, muitas vezes depois das 20h. Se você chegar num restaurante às 18h30, pode encontrar a cozinha fechada. Jantar às 19h é possível em lugares turísticos, mas em bairros mais locais o movimento começa mais tarde. Planeje lanches ou um aperitivo se o intervalo entre almoço e jantar for longo.
Reservas para museus e restaurantes: Coliseu, Uffizi, Museus do Vaticano e o Cenáculo em Milão esgotam ou formam filas enormes. Compre ingressos online com dias de antecedência. Para restaurantes pequenos e bem falados, reserve com um ou dois dias, principalmente em Florença e Veneza. Muitos aceitam reserva por telefone ou pelo site.
Coperto e servizio: Na conta do restaurante pode vir o “coperto” (custo por pessoa pela mesa, pão e talheres) e às vezes o “servizio” (serviço). Não é gorjeta extra: já está na conta. Gorjeta adicional não é obrigatória; se quiser, deixe alguns euros ou arredonde o valor. Em café em pé no balcão, não se paga coperto.
Trem: preço e antecedência: Os trens de alta velocidade (Frecciarossa, Italo) ficam mais baratos quando comprados com antecedência. Se sua data for fixa, compre com uma ou duas semanas. Nos regionais o preço costuma ser fixo; não precisa comprar com tanta antecedência. Confirme o binário (platform) no painel antes de embarcar; ele pode mudar em cima da hora.
Onde ficar: Em Roma, ficar perto de uma estação de metrô facilita; bairros como Monti, Trastevere e Prati são bons. Em Florença, o centro é pequeno e andável; perto do Duomo ou do rio já resolve. Em Veneza, escolher um bairro um pouco afastado da San Marco (por exemplo Cannaregio ou Dorsoduro) costuma ser mais barato e mais tranquilo; você continua a pé ou de vaporetto.
Roupa e igrejas: Para entrar em igrejas e na Basílica de São Pedro, ombros e joelhos precisam estar cobertos. Leve um lenço ou uma blusa leve na bolsa; em dias quentes é fácil ser barrado na porta. Shorts e regatas sem manga costumam ser barrados.
Segurança e carteira: Furtos em transporte público e em pontos turísticos existem, principalmente em Roma e Florença. Bolsa na frente do corpo, carteira no bolso da frente ou em bolso interno. Não deixe celular e documentos em cima da mesa em esplanadas. Com esses cuidados básicos, a viagem tende a ser tranquila.
Farmacia e farmacia notturna: Farmácias na Itália têm uma cruz verde e muitas coisas que no Brasil só em médico (por exemplo, alguns antibióticos e anti-inflamatórios) são vendidos com orientação do farmacêutico. Para emergências à noite, procure por “farmacia turno” ou “farmacia notturna”; há sempre uma de plantão por região, com o endereço na porta das farmácias fechadas.
Com um roteiro bem encaixado, alguns endereços bons para comer e essas dicas em mente, sua viagem para a Itália em 8 ou 15 dias tende a ser bem mais suave e memorável. Ajuste os dias conforme seu ritmo: às vezes menos é mais, e sobrar tempo para sentar numa praça com um gelato vale tanto quanto marcar outro museu. Bora planejar?